João Valinho na #12 edição das Funchal City Sessions
06 de outubro de 2026

As Funchal City Sessions prosseguem a sua programação com João Valinho, que se apresenta na 12.ª edição, no próximo dia 30 de outubro.
Um dos nomes mais ativos da cena da música improvisada em Lisboa, João Valinho desenvolve uma prática que transita entre o jazz, a música improvisada e abordagens próximas do near-silence, mantendo igualmente uma atividade interdisciplinar nas áreas da dança, teatro e performance.
Ao longo do percurso, tem colaborado, em estúdio e ao vivo, com músicos nacionais e internacionais, integrando projetos como Rodrigo Amado Refraction Quartet, Fashion Eternal, Rodrigo Brandão Outros Espaços e Anthropic Neglect. Atualmente, desenvolve trabalhos no MOVE, Sonic Tender, Subplanar, Barulho Colectivo e Quarto com Luz.
A aproximação à música improvisada surgiu a partir da sua investigação nas artes visuais e na filosofia, em particular do contacto com formas de expressão centradas no indeterminismo e na criação de novas relações. A experiência anterior com géneros como o metal e o noise, contribuiu também para esse percurso. Posteriormente, o contacto com a música erudita e as suas vanguardas, a música concreta, a eletroacústica e a música eletrónica ampliou o campo de pesquisa, ao qual se juntou mais tarde o jazz e as possibilidades de exploração associadas à prática instrumental.
É neste cruzamento entre diferentes linguagens que João Valinho encontra na improvisação uma ferramenta de exploração e de abertura ao inesperado. Através de uma metodologia experimental, procura criar espaços de indeterminação onde a esculta, a adaptação e a relação entre os intérpretes assumem um papel central. A música torna-se assim, um meio para investigar novas formas de relação, experiência e pensamento, desafiando modelos padronizados e permitindo que cada ação musical transforme o que se segue.
Entre projetos que marcam este percurso encontra-se MOVE, álbum lançado em 2023 e concebido por Felipe Zenícola, Yedo Gibson e João Valinho. O projeto parte de uma ideia de movimento urgente, em que a mudança não é apenas inevitável, mas desejada. Através da improvisação, os três músicos constroem uma relação direta e dinâmica, assente na escuta, na comunicação e na capacidade de adaptação. A interconetividade entre os intérpretes torna-se matéria de criação: cada gesto influencia o seguinte e a dúvida pode abrir caminho a novas ideias. A música desenvolve-se como um organismo em permanente transformação, num território de experimentação entre o som, o silêncio, a improvisação e outras formas de expressão artística. É a partir deste espaço de abertura ao inesperado que João Valinho chega ao Funchal para a sua primeira atuação na cidade.
.jpg)