Leah Singer e Lee Ranaldo apresentam Contre Jour no MUDAS
6 de outubro de 2026

Lee Ranaldo, cofundador dos Sonic Youth, apresenta, com a artista visual Leah Singer, Contre Jour, uma performance audiovisual que cruza música, imagem, luz e sombra. A apresentação acontece no dia 31 de outubro, às 21h00, no Auditório do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, e assume uma dimensão particularmente significativa no contexto madeirense pela relação de Ranaldo e Singer com a obra de Lourdes de Castro, uma das artistas portuguesas de referência para o universo conceptual desta criação.
A relação de Lee Ranaldo e Leah Sing com Lourdes de Castro remonta a 2011, quando visitaram o atelier da artista na Madeira, movidos pela profunda admiração pelo seu trabalho. Desse encontro nasceram algumas das ideias para uma possível colaboração entre ambos, mas a morte de Lourdes de Castro, em 2022, tornou essa possibilidade impossível. A sua obra permanece, contudo, como uma referência importante para o pensamento visual de Contre Jour, particularmente nas noções de sombra, presença e ausência.
É precisamente a sombra que assume um papel central na atual versão de Contre Jour. Ranaldo e a sua guitarra elétrica suspensa projetam as próprias sombras sobre o ecrã, estabelecendo um diálogo permanente com as imagens projetadas e manipuladas em tempo real por Leah Singer. Registos de performances anteriores são incorporados na própria performance, criando uma espécie de mise en abyme, em que imagens de outros momentos passam a fazer parte do presente e o trabalho se transforma continuamente sobre si próprio. A sombra deixa assim de ser apenas um efeito visual para se tornar matéria da própria obra.
A ligação entre música e imagem acompanha o trabalho de Lee Ranaldo e Leah Singer desde 1991, quando iniciaram a colaboração com DRIFT, uma experiência pioneira de performance que combinava música ao vivo com projeção de película de 16mm manipulada em tempo real. Ao longo das décadas seguintes, o trabalho evoluiu da película para o vídeo digital e para instalações e performances de grande escala, mantendo sempre a vontade de questionar os limites entre concerto, cinema, instalação e artes visuais.
Em projetos como Sight Unseen, apresentado pela primeira vez em Toronto, em 2010, a dupla levou essa linguagem a uma escala monumental, ocupando o espaço urbano com som, luz e múltiplas projeções. A apresentação atraiu cerca de 15 mil pessoas e marcou uma nova etapa na relação entre o corpo do performer, o instrumento, a imagem e o espaço. Desde então, Ranaldo e Singer têm apresentado o seu trabalho internacionalmente, em contextos tão diversos como o Centre Pompidou, em Paris, o International Film Festival Rotterdam, Berlin Atonal, o gnration, em Braga, Dark Mofo, na Tasmânia, e o S8 International Film Festival, na Corunha, entre outros.
Em Contre Jour, esta longa trajetória encontra uma forma particularmente depurada. Não há uma narrativa linear nem uma separação convencional entre palco e plateia. O corpo de Ranaldo, a guitarra suspensa, as sombras, as projeções e o som coexistem num espaço em transformação contínua, convidando o público a uma experiência simultaneamente musical e performativa.
Uma das características fundamentais do projeto está precisamente na capacidade de questionar os lugares habituais de quem atua e de quem observa. Mais do que assistir a uma performance, o público é convidado a permanecer dentro de um ambiente em transformação, deixando que as imagens e o som o envolvam.
A apresentação na Madeira acrescenta a esta trajetória internacional uma dimensão particularmente significativa. É na Madeira, no território onde Lourdes de Castro viveu e trabalhou, que Contre Jour encontra uma ressonância especial na obra de uma artista que marcou profundamente o imaginário de Lee Ranaldo. Sem procurar ilustrar ou reproduzir o trabalho de Lourdes de Castro, a performance aproxima-se de algumas das questões que atravessam a sua obra: a sombra como presença, a relação entre corpo e ausência e a transformação do espaço através da luz. Esta apresentação constitui, assim, uma oportunidade de fazer coexistir, no mesmo lugar, uma longa investigação artística sobre imagem, som e performance, e a memória de uma artista que foi uma referência importante no panorama cultural e artístico da Madeira.
Contre Jour constrói-se, em cada apresentação, a partir do encontro entre aquilo que foi previamente registado e aquilo que acontece, naquele momento, diante do público. É nessa relação entre memória e presente, entre imagem e som, entre corpo e sombra, que a performance encontra a sua forma.
Bilhetes à venda exclusivamente na Eventbrite, no valor de 15€.
Uma produção da APCA - Agência de Promoção da Cultura Atlântica, com o apoio da Secretaria Regional de Turismo, Ambiente e Cultura - Direção Regional da Cultura, através do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, e da República Portuguesa - Cultura, Juventude e Desporto / Direção-Geral das Artes.
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